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Dores e rigidez na coluna: quando a espondilite anquilosante pode garantir isenção de IRPF

A dor constante na coluna, a rigidez ao acordar e a limitação de movimentos podem ser sinais de uma doença inflamatória séria: a espondilite anquilosante. Apesar de muitas pessoas conhecerem essa enfermidade por outros nomes, ela está prevista na legislação brasileira como uma das doenças que podem garantir isenção do Imposto de Renda para aposentados, pensionistas e militares reformados.

O problema é que, na prática, muitos pedidos acabam sendo negados por questões técnicas relacionadas ao nome da doença ou ao entendimento equivocado sobre o grau de comprometimento necessário para obter o benefício.

Neste artigo, você vai entender como funciona o reconhecimento da espondilite anquilosante para fins de isenção de IRPF, quais são os principais critérios médicos utilizados no diagnóstico e por que nem sempre é necessário estar totalmente incapacitado para ter direito ao benefício.

Espondilite anquilosante ou espondiloartrose anquilosante?

Um dos maiores problemas enfrentados pelos pacientes está relacionado à nomenclatura utilizada nos laudos médicos.

A própria Administração Pública Federal já reconheceu, por meio da Portaria nº 1.675/2006 do Ministério do Planejamento, que o termo “espondiloartrose anquilosante” foi utilizado de forma inadequada em textos legais, sendo mais correto o uso da expressão “espondilite anquilosante”.

Além disso, a doença também pode aparecer identificada por outras denominações médicas, como:

  • Espondilite reumatoide;
  • Doença de Pierre-Marie-Strumpell;
  • Espondilite ossificante ligamentar;
  • Espondilite juvenil;
  • Pelviespondilite anquilosante;
  • Espondilose risomélica.

Na prática, isso significa que muitos pacientes possuem a doença reconhecida clinicamente, mas enfrentam dificuldades porque o laudo médico não utiliza exatamente o mesmo termo previsto na Lei nº 7.713/88.

Esse detalhe pode gerar negativas administrativas e até decisões judiciais desfavoráveis quando o julgador interpreta, de forma equivocada, que se trata de uma enfermidade diferente.

Por isso, é fundamental que o laudo médico explique claramente a equivalência entre os termos utilizados.

A doença precisa estar em estágio avançado?

Não.

Esse é outro equívoco bastante comum em perícias médicas relacionadas à isenção do Imposto de Renda.

A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente as articulações da coluna vertebral. Com o avanço da enfermidade, pode ocorrer perda progressiva da mobilidade e rigidez da coluna.

Contudo, isso não significa que apenas casos extremamente graves tenham direito à isenção.

Estudos médicos e publicações especializadas explicam que a doença possui graus diferentes de evolução. Em muitos pacientes, os sintomas ainda estão em fase inicial, mas já existe o diagnóstico clínico e radiológico da enfermidade.

A legislação não exige incapacidade total, deformidade severa ou fusão completa das articulações para o reconhecimento do direito.

Em outras palavras: a lei não condiciona a isenção apenas aos casos em que o paciente já apresenta limitação extrema dos movimentos.

Mesmo pacientes com rigidez moderada, dores persistentes e início de comprometimento funcional podem preencher os requisitos legais.

O que caracteriza a espondilite anquilosante?

A doença costuma apresentar sintomas progressivos e persistentes.

Entre os sinais mais comuns estão:

  • Dor lombar contínua por mais de três meses;
  • Rigidez na coluna, especialmente ao amanhecer;
  • Melhora da dor com atividade física;
  • Limitação de movimentos;
  • Redução da expansibilidade torácica;
  • Inflamação nas articulações sacroilíacas.

Muitas vezes, os sintomas são confundidos com dores comuns na coluna ou problemas decorrentes da idade.

Por isso, o diagnóstico exige investigação médica detalhada.


Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da espondilite anquilosante normalmente envolve avaliação clínica e exames de imagem.

Os médicos podem solicitar:

  • Radiografia;
  • Tomografia computadorizada;
  • Ressonância magnética;
  • Exames laboratoriais;
  • Avaliação reumatológica especializada.

Os chamados “Critérios de Nova York”, amplamente utilizados pela comunidade médica, exigem a combinação de sinais clínicos e alterações radiológicas para confirmação da doença.

Um ponto importante é que a inflamação característica da enfermidade nem sempre aparece nos exames logo no início.

Em alguns casos, as alterações radiográficas demoram anos para se tornar evidentes.

Isso faz com que muitos pacientes tenham dificuldades para obter um diagnóstico precoce, especialmente quando o objetivo é comprovar o direito à isenção tributária.

Calcificação na coluna significa espondilite?

Nem sempre.

A presença de calcificações, ossificações ou alterações degenerativas na coluna pode indicar diversas doenças diferentes.

Embora esses achados possam estar relacionados à espondilite anquilosante, também podem decorrer de outras condições, como osteofitose — popularmente conhecida como “bico de papagaio”.

Por esse motivo, o simples fato de existir calcificação na coluna não é suficiente para confirmar o diagnóstico.

O correto enquadramento depende de avaliação médica especializada e análise completa do histórico clínico do paciente.

A importância do laudo médico para a isenção do IRPF

Nos pedidos de isenção do Imposto de Renda, o laudo médico possui papel decisivo.

É essencial que o documento:

  • Identifique corretamente a doença;
  • Explique os sintomas e limitações;
  • Informe a evolução clínica;
  • Demonstre a compatibilidade entre os termos médicos utilizados;
  • Apresente exames que comprovem o diagnóstico.

Muitas negativas ocorrem porque o laudo é genérico, incompleto ou utiliza nomenclaturas diferentes daquelas previstas na legislação.

Por isso, contar com acompanhamento jurídico e médico adequado pode fazer diferença no reconhecimento do direito.

Quem pode pedir isenção do Imposto de Renda?

A legislação prevê isenção de IRPF para aposentados, pensionistas e militares reformados diagnosticados com determinadas doenças graves, incluindo a espondilite anquilosante.

O benefício pode abranger:

  • Aposentadoria;
  • Pensão;
  • Reforma militar;
  • Complementação de aposentadoria.

Dependendo do caso, também é possível solicitar a restituição dos valores pagos indevidamente nos últimos anos.

A espondilite anquilosante é uma doença séria, progressiva e muitas vezes subdiagnosticada.

Apesar de a legislação garantir isenção do Imposto de Renda para pessoas acometidas pela enfermidade, ainda existem muitas negativas motivadas por interpretações equivocadas sobre a nomenclatura da doença ou sobre o grau de comprometimento necessário.

O mais importante é compreender que a lei não exige invalidez total nem estágio terminal da enfermidade.

Quando existe diagnóstico médico adequado e comprovação clínica da doença, o direito à isenção pode ser reconhecido mesmo em fases iniciais.

Se você possui sintomas compatíveis, exames indicando alterações inflamatórias na coluna ou diagnóstico de espondilite anquilosante, vale a pena buscar orientação especializada para analisar a possibilidade de obter a isenção do IRPF.


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Sobre o autor

Henrique Lima

Sobre o autor

Henrique Lima

Henrique Lima é advogado atuante em defesas pessoas jurídicas e físicas em temas envolvendo direito tributário, administrativo, previdenciário (INSS e RPPS), do trabalho, do consumidor e de família.

É mestre em direito pela Universidade de Girona – Espanha e pós-graduado (lato sensu) em direito constitucional, direito do trabalho, civil, consumidor e família. É sócio do escritório Lima & Pegolo Advogados Associados (www.limaepegolo.com.br) que possui unidades em Curitiba-PR, Campo Grande-MS e São Paulo-SP, mas atende clientes em vários Estados brasileiros.

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