“Quando há muitas dificuldades e problemas é sinal de que Deus não está abençoando”. Será?

Existem pessoas que possuem a errada crença de que, quando Deus estabelece um objetivo (um propósito) e nos escolhe para cumpri-lo, tudo transcorrerá sem grandes dificuldades, sem necessidade de exagerados esforços, sem precisar excessivo empenho, como se tudo fosse se concretizar quase que naturalmente, pois já foi “decretado por Deus”.

Dizem não querer fazer as coisas “na força do braço”,  pois acreditam que se forem guiados pelo Espírito de Deus não enfrentarão grandes problemas, perdas, medos, angústias, dores e até mesmo momentos de incertezas.

Nada mais equivocado e distante dos inúmeros exemplos bíblicos do que esse modo de pensar.

Vou citar apenas dois exemplos.

Quando ainda bem jovem, Davi foi ungido rei de Israel. Desse momento até efetivamente ele ser estabelecido rei sobre todo Israel passaram-se anos, mas o tempo nem é o problema, pois o que realmente chama a atenção são as enormes dificuldades pelas quais passou. É certo que durante o reinado de seu antecessor, Davi aguardou pacientemente para “não tocar no ungido de Deus”. Contudo, após a morte do rei Saul, Davi precisou lutar, e muito, para conseguir conquistar e unificar o reino. Chega ser hilário que diante de um aparente empate (numa determinada batalha, morreram a mesma quantidade de guerreiros de cada lado) entre as forças de Davi e de seu adversário Isbosete (filho do falecido rei Saul), ainda foi necessário um “vira-casaca” (Abner, após ser injustamente acusado de imoralidade sexual) mudar de lado na guerra para que Davi efetivamente conseguisse concretizar algo que há muito tempo já era plano de Deus e que obviamente Ele estava abençoando.

Outra situação que chama atenção é a Terra Prometida, que na verdade deveria ser chamada de Terra Prometida e Conquistada. Deus prometeu a Abraão que sua descendência ocuparia a região que hoje seria o Estado de Israel. Ele disse até quando isso ocorreria: após quatro séculos de escravidão no Egito. Porém, todo o processo de enfrentamento ao Faraó, a saída do Egito, a peregrinação pelo deserto e as incontáveis lutas para a efetiva tomada da Terra Prometida, deixam claro que para os projetos de Deus serem concretizados, é imprescindível aos homens incrível dedicação, esforço, coragem, constância e fé. 

É a clássica história de que quando Deus quer prover de alimento alguma pessoa ou família que está passando fome, Ele não vai simplesmente fazer materializar um prato de comida na frente dela (até poderia fazê-lo, se quisesse, mas não é assim que Ele age). Ele vai colocar esse propósito no coração de alguém e essa pessoa vai ter que corresponder, obedecer e fazer a parte dela: sair de sua zona de conforto, comprar uma cesta básica e providenciar que chegue até quem está precisando. Esse é o significado de ser “usado por Deus”.

Voltemos ao tema. Diante da constatação que fizemos, o leitor pode indagar: “quer dizer que Deus não estava com eles? Não os ajudou, abençoando-os?”. Estava sim. Claro que sim, mas não da forma como se costuma pensar. O fato de ter a benção de Deus não garante que as coisas seriam fáceis. Houve batalhas, mortes, dor, sofrimento, perdas. O leitor ainda pode insistir: “ora, então onde estava Deus e sua benção?”. Respondo: em todo o momento. Explicarei.

Apesar de Deus ter projetos a serem realizados – os quais, aliás, por conta de sua onipotência Ele poderia concretizar tudo sozinho – Ele insiste em nos ter como co-autores nessas realizações.

Ao longo da história bíblica, ao mesmo tempo em que Ele é o Deus Todo-Poderoso de uma nação e de toda a humanidade, Ele também sempre se mostrou como um Deus pessoal, um pai, um amigo, um Salvador. No final, o que importa para Ele são nossas almas e o que Ele quer é nossa adoração e nossa fidelidade, as quais entregamos por meio de nossa obediência aos seus Mandamentos.

Assim, em que pesem todas as dificuldades enfrentadas no estabelecimento do reinado de Davi e na conquista da Terra Prometida – que seriam os planos “macros” – percebemos que no plano individual tanto Davi como Josué, Caleb, Gidão, etc., vivenciavam incríveis experiencias com o Eterno, devido aos seus corações voltados a Ele.

As dificuldades que o próprio Deus coloca em nossos no caminhos têm como objetivo fortalecer nossa fé e confiança nEle e também forjar em nós o caráter necessário para cumprirmos nossos propósitos individuais e para que colaboremos nos coletivos.

Então, quero deixar duas mensagens: (1) extremas dificuldades, lutas, sofrimentos e até mesmo possíveis perdas não são sinais de que Deus não está abençoando ou de que aquele não é o caminho correto. Pode até ser que signifique isso, mas não obrigatoriamente; (2) mesmo para cumprir projetos estabelecidos pelo próprio Deus Todo-Poderoso e para os quais Ele de antemão já nos abençoou, é necessário de nossa parte grande carga de dedicação, esforço, empenho, coragem, constância, resiliência e, acima de tudo, obediência, fé e confiança nEle.

Desse modo, o leitor pode fazer uma derradeira pergunta: “então como saberei o propósito, isto é, o objetivo de Deus para minha vida, tanto de modo geral, como também para situações específicas, e ainda como saber a maneira e o tempo de agir?”.

O que posso deixar como resposta é: tranque-se no seu quarto, leia sua Palavra, converse com Ele e peça orientação. Se preciso for, seja insistente em seus pedidos, só não use de repetições decoradas. Lembre-se que  quem promete nos ajudar, é Ele mesmo: “Eu lhe ensinarei o caminho por onde você deve ir; Eu vou guiá-lo e orientá-lo.” (Salmos 32:8).

Forte abraço e que Deus nos abençoe.

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Sobre o autor

Henrique Lima

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Henrique Lima

Henrique Lima é advogado atuante em defesas de servidores públicos civis e militares, de trabalhadores da iniciativa privada, de profissionais liberais, de associações, sindicatos e empresas em temas envolvendo direito administrativo, tributário, previdenciário (INSS e RPPS), do trabalho e do consumidor.

 

É mestre em direito pela Universidade de Girona – Espanha e pós-graduado (lato sensu) em direito constitucional, direito do trabalho, civil, consumidor e família. É sócio do escritório Lima, Pegolo & Brito Advocacia (www.lpbadvocacia.com.br) que possui unidades em Curitiba-PR, Campo Grande-MS, Cuiabá-MT, Rio Brilhante-MS, Dourados-MS e Aquidauana-MS, mas atende clientes em vários Estados brasileiros.

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