Provérbios para Executivos (8): seja proativo

Preguiçoso, aprenda uma lição com as formigas! Elas não têm líder, nem chefe, nem governador, mas guardam comida no verão, preparando-se para o inverno. (Pv. 6:6-8)

Proatividade é a característica de agir sem precisar ser mandado, é ter atitudes independente de receber ordens do superior hierárquico. É analisar o ambiente e o contexto e se antecipar para resolver ou prevenir problemas, e também para melhorar a eficiência daquilo que já é feito. A pessoa proativa não espera o estímulo externo para reagir (reatividade), pois sempre se coloca numa condição de querer aperfeiçoar o que já é feito ou de resolver necessidades que surgem ou mesmo que surgirão.

Contudo, um alerta deve ser feito, a proatividade deve caminhar junto com o bom senso e com o bom e velho desconfiômetro.

Dentro do ambiente de trabalho é necessária sensibilidade para perceber em qual limite se pode agir espontaneamente. Em alguns lugares, as atribuições são completamente desenhadas e qualquer extrapolação implicará em invasão da competência de outro colega. Isso tanto pode ser bom para mostrar capacidade e despertar atenção sobre si, até para uma eventual promoção, como pode ser ruim e quem sabe até fazer com que seja visto como intrometido ou inconveniente. Em algumas empresas é uma característica apreciada, noutras, é rejeitada pois só o que buscam é quem faz bem aquilo que foi determinado. Quanto mais verticalizada e enrijecida a estrutura de uma empresa, menos espaço há para a virtude da proatividade. Portanto, é necessário feeling para identificar o tempo, o local e o modo de agir.

Apesar dessas ressalvas, na grande maioria das vezes a proatividade é valorizada nos ambientes corporativos, pois bons líderes e gestores saberão distinguir o profissional inconveniente daquele que verdadeiramente busca o aperfeiçoamento da função ou a solução ou prevenção de determinado problema.

Por outro lado, em outras áreas da vida a proatividade não encontra ressalvas – apenas a do desconfiômetro, que vale para tudo. Nos relacionamentos pessoais, familiares e afetivos, nos ambientes acadêmicos, nos esportes, isto é, em qualquer situação sempre são melhores os proativos, os que tomam iniciativa e fazem acontecer, ainda que eventualmente errem, do que os reativos, que precisam ser continuamente estimulados a se mexer.

Certa vez, presenciei uma situação em que um novo membro de uma comunidade se mostrava exageradamente proativo (faltava aquela pecinha que citei duas vezes acima), mas o líder confidenciou que preferia “colocar camisa de força em louco do que fazer burro andar”. Ou seja, preferia o perfil de quem espontaneamente agia, ainda que precisasse constantemente ser chamado atenção quanto aos limites, do que aqueles que só faziam algo se obrigados, fiscalizados e cobrados.

Outro ponto importante é que a proatividade não parece ser uma característica absoluta, isto é, que a pessoa sempre tem ou que sempre lhe falta. Ela tenha muita relação com a questão do interesse. Um jovem pode não ter qualquer disposição em ser proativo em organizar sua agenda e seus compromissos para conseguir um tempo para estudar literatura, mas pode ter muita proatividade se for para participar de uma partida de jogo on line. É uma questão de atração.

Por isso é que muitos experts em carreiras dizem que a mais segura fórmula para o sucesso profissional é fazer aquilo que se gosta. Inclusive há muitos relatos de pessoas que só prosperaram após perderem o emprego e se dedicarem em empreender naquilo que tinham como hobby.

O instinto das formigas, citadas no provérbio de referência, as leva a naturalmente trabalharem e se prevenir para a próxima estação. Mas, apesar de sermos bem mais complexos, somos igualmente dotados de interesses e de aptidões inatas que quando estão alinhados, seja numa carreira profissional ou num projeto pessoal, nos torna naturalmente proativos, impulsionados a sempre buscar corrigir, prevenir e melhorar aquilo que fazemos.

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Sobre o autor

Henrique Lima

Sobre o autor

Henrique Lima

Henrique Lima é advogado atuante em defesas de servidores públicos civis e militares, de trabalhadores da iniciativa privada, de profissionais liberais, de associações, sindicatos e empresas em temas envolvendo direito administrativo, tributário, previdenciário (INSS e RPPS), do trabalho e do consumidor.

 

É mestre em direito pela Universidade de Girona – Espanha e pós-graduado (lato sensu) em direito constitucional, direito do trabalho, civil, consumidor e família. É sócio do escritório Lima, Pegolo & Brito Advocacia (www.lpbadvocacia.com.br) que possui unidades em Curitiba-PR, Campo Grande-MS, Cuiabá-MT, Rio Brilhante-MS, Dourados-MS e Aquidauana-MS, mas atende clientes em vários Estados brasileiros.

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