Provérbios para Executivos (6): não inveje os maus

Não tenha inveja dos injustos… (Pv. 3:31)

Esse conselho traz oculta uma indagação: por que os maus prosperam? Muitas vezes vemos pessoas que são notoriamente ruins, mas que, mesmo assim, parece que para elas tudo vai bem. Isso pode causar até uma certa indignação e levar alguns a questionar a justiça divina.

Ciente de que experimentaríamos esses sentimentos, a bíblia trata desse assunto algumas vezes, mas sempre com a mesma recomendação: não os inveje!

Todas as pessoas são dotadas de talentos, dons e capacidades nas mais diversas áreas e com as mais variadas utilidades. Em primeiro lugar, importante lembrar que uma habilidade que num determinado momento da história está sendo valorizada, pode não ter sido em outro. Além disso, cada um tem a liberdade de escolher como quer usar o que recebeu, se em benefício apenas de si próprio ou se para fazer algo de útil também para a coletividade.

Quem tem uma mente privilegiada pode ser um pesquisador em busca de tratamento para alguma enfermidade ou desenvolver drogas que causam dependência e destruição.

Lembremos ainda que enquanto se está vivo, é possível o arrependimento e a reparação ou, pelo menos, a amenização do mal que causou. Passando para a outra fase, só restará prestar contas acerca daquilo que se fez para então colher as consequências boas ou más. Então, aquele que é mal hoje, pode ser um benfeitor amanhã.

Existe grande diferença entre a prosperidade debaixo da benção de Deus e aquela que decorre unicamente do próprio esforço. Ambas exigem preparação, dedicação, trabalho, suor, foco e coragem, mas a segunda pode ser fonte de grande sofrimento, angústia, estresse e até depressão.

Quando em parceria com Deus, a riqueza conquistada não causa pânico porque se sabe que da mesma forma como Ele ajudou a conquistar uma vez, pode fazê-lo novamente se o mal sobrevier, basta estar com o coração no lugar certo. Já a fortuna amealhada sem Ele, é quase uma maldição, porque geralmente é acompanhada de desgastante temor de perdê-la. William Shakespeare disse: “Riquezas ilimitadas, no entanto, são um inverno gélido para quem teme empobrecer.” (Otelo, o Mouro de Veneza).

Atente-se, ainda, para outra questão. Quem é você para julgar se aquele próspero vizinho, colega de profissão, conhecido ou parente é justo ou injusto? Você não conhece todas as atitudes dele, tampouco o coração. Não sabe as lutas e a história de vida que carrega. O fato de ele ser, quem sabe, rude ou indiferente com você não quer dizer que ele seja mau ou injusto. Talvez se você tivesse passado por todas as batalhas que ele passou, seria igual ou até pior!

Lembre-se que a história conta a vida de várias pessoas que em períodos da vida praticam ações bastante ruins, mas que em dado momento da jornada foram transformadas após passarem por profunda experiência com Deus e então passaram a usar todo dom, capacidade e experiência acumulada em prol do bem da sociedade.

O caminho é sondar o próprio coração para descobrir se os sentimentos com relação àquele que é próspero são legítimos ou se é uma simples e pura inveja porque ele conseguiu conquistar o que você sonhava e está vivendo aquilo que gostaria de estar desfrutando. Talvez enquanto você ficou de braços cruzados esperando “ser abençoado” e que tudo desse certo, ele arregaçou as mangas, batalhou e conseguiu. Lembre-se que sempre que Deus prometeu benção, foi sobre o “fruto do trabalho”. Então, é necessário trabalhar, e não pouco.

Enfim, inveja é sentimento que não se deve ter em relação a qualquer um, muito menos daqueles que atingiram algum lugar de destaque financeiro ou social por meio de injustiças. Isso não significa, entretanto, que não se possa admirar a vida das pessoas boas, que conquistaram grandes coisas por meio do trabalho e da honestidade, almejando e se esforçando para um dia estar em semelhante posição.

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Sobre o autor

Henrique Lima

Sobre o autor

Henrique Lima

Henrique Lima é advogado atuante em defesas de servidores públicos civis e militares, de trabalhadores da iniciativa privada, de profissionais liberais, de associações, sindicatos e empresas em temas envolvendo direito administrativo, tributário, previdenciário (INSS e RPPS), do trabalho e do consumidor.

 

É mestre em direito pela Universidade de Girona – Espanha e pós-graduado (lato sensu) em direito constitucional, direito do trabalho, civil, consumidor e família. É sócio do escritório Lima, Pegolo & Brito Advocacia (www.lpbadvocacia.com.br) que possui unidades em Curitiba-PR, Campo Grande-MS, Cuiabá-MT, Rio Brilhante-MS, Dourados-MS e Aquidauana-MS, mas atende clientes em vários Estados brasileiros.

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