Provérbios para Executivos (4): humildade

Não fique pensando que você é sábio… (Pv. 3:7)

Ser consciente das próprias qualidades não é problema, pelo contrário, é até aconselhável pois, na medida certa, resulta numa salutar autoconfiança. Uma pessoa inteligente não precisa ficar pensando que é burra ou incapaz, tampouco precisa fingir ser menos do que se sabe que é, isso seria hipocrisia.

A advertência é com relação à falta de humildade, é um alerta para a necessidade de se precaver da altivez, da arrogância, da presunção, do orgulho, da vaidade, da soberba e de outros sentimentos semelhantes.

A falta de humildade traz vários problemas profissionais e pessoais, cujas consequências podem variar conforme o momento da vida em que se manifesta.

No início de uma carreira, a arrogância dificulta que um potencial talento se desenvolva porque fecha muitas portas. Aliás, quem já entrevistou um candidato arrogante sabe o quanto chega a ser desagradável a experiência, sem dizer que geralmente ele é sumariamente eliminado da disputa.

Quando a prepotência se estabelece na fase da maturidade, com o sucesso profissional já conquistado, ela tem o efeito de afastar as pessoas boas e sinceras que eram ou que poderiam ser verdadeiras e leais amigas, deixando ao redor os interesseiros, que buscam apenas algum proveito e que vão embora quando conseguem ou quando não encontram o que buscam.

A manifestação da arrogância também pode ser analisada segundo os níveis de intensidade.

Na escala mais grave estão aqueles que simplesmente não conseguem ou não querem se controlar e vomitam esse sentimento em todos os relacionamentos. Numa posição intermediária, há os que exalam a podridão do orgulho próprio apenas contra as pessoas que, aos seus altivos olhos, se encontram numa classe inferior. No estágio mais leve estão os que normalmente conseguem se conter, mas que eventualmente deixam escapar atitudes que demonstram esse sentimento reprimido. Esses últimos vivem num contínuo estado de tensão em não revelar esse defeito de caráter. Apesar de estarem melhor que os citados anteriormente, pois ainda tentam se controlar, o melhor é mudar a imagem que possuem de si próprio e viverem em paz consigo mesmo e com os outros.

Existem várias consequências ruins para a falta de humildade, mas creio que a pior delas é a de atrapalhar e, nos casos mais graves, de impedir o crescimento. Quando alguém já se considera sábio, dificilmente está aberto a aprender mais e, aliás, nem sequer sente essa necessidade.

Conta a história grega que Querofonte perguntou ao Oráculo do deus Apolo, na Cidade de Delfos, quem seria a pessoa mais sábia da época e a resposta foi que seria Sócrates. Algumas fontes dizem que foi o próprio Sócrates quem fez essa consulta. Fato é que Sócrates ficou muito intrigado com a revelação, pois se considerava conhecedor de apenas uma verdade: “só sei, que nada sei”. Diante disso, empenhou-se em conversar com as pessoas consideradas sábias da época, fazendo-lhes perguntas. Foi então que notou que eles possuíam conhecimentos superficiais, tendenciosos e pouco fundamentados. Na época, isso incomodou muita gente importante levando Sócrates a ser condenado à morte, por meio da ingestão de cicuta. Morreu, mas teve enorme influência na transformação do mundo a partir dele.

Essa história ensina a nunca se considerar suficientemente sabedor de coisa alguma, mas a se colocar constantemente na condição de eterno aprendiz e a reconhecer que cada pessoa pode ensinar algo.

Como salientado no início deste capítulo, não se deve confundir humildade com fraqueza.

A advertência não é contra “ser sábio”. O problema está em “ser sábio aos próprios olhos” ou ainda em “ficar pensando que é sábio”. Apesar de semelhantes, são situações consideravelmente distintas.

Humilde é aquele que mesmo sendo e sabendo que é forte, inteligente, belo, rico ou sábio, não permite que essa consciência contamine seus sentimentos e pensamentos, e tampouco deixa escapar palavras e atitudes que constranjam, diminuam, desestimulem, afastem ou envergonhem outras pessoas, especialmente aquelas que não estão na mesma privilegiada condição.

Humildade é quando alguém muito inteligente mantém conversas agradáveis com pessoas não tão beneficiadas nesse aspecto e sem que elas se sintam inferiorizadas. É quando aquele está acima desce alguns degraus não somente para ser gentil, mas também para incentivar o aperfeiçoamento, servir de inspiração ou mesmo para fornecer uma companhia ou um consolo em algum momento difícil.

É impossível falar de humildade e não lembrar de Jesus Cristo, que foi o maior dos exemplos, pois mesmo sendo forte, se fez fraco e viveu numa condição semelhante à nossa suportando extremo e injusto sofrimento simplesmente por amor e para mostrar o caminho de retorno ao Criador dos céus e da Terra.

Enfim, a humildade mantém aberto o canal para o contínuo desenvolvimento profissional e pessoal porque atrai oportunidades de aprendizagem através do contato com aqueles que estão acima – sempre há pessoas em degraus mais elevados –, também permite acumular bênçãos ao ajudar com conselhos e atitudes os que estão abaixo e ainda aumenta as chances de ter ao redor pessoas sinceras que se agradam simplesmente pelo que se é e pela companhia que oferece e não pelo que se tem ou pelo que se pode proporcionar.

52 pessoas leram esse artigo
Sobre o autor

Henrique Lima

Sobre o autor

Henrique Lima

Henrique Lima é advogado atuante em defesas de servidores públicos civis e militares, de trabalhadores da iniciativa privada, de profissionais liberais, de associações, sindicatos e empresas em temas envolvendo direito administrativo, tributário, previdenciário (INSS e RPPS), do trabalho e do consumidor.

 

É mestre em direito pela Universidade de Girona – Espanha e pós-graduado (lato sensu) em direito constitucional, direito do trabalho, civil, consumidor e família. É sócio do escritório Lima, Pegolo & Brito Advocacia (www.lpbadvocacia.com.br) que possui unidades em Curitiba-PR, Campo Grande-MS, Cuiabá-MT, Rio Brilhante-MS, Dourados-MS e Aquidauana-MS, mas atende clientes em vários Estados brasileiros.

Saiba mais sobre o autor

Vamos conversar sobre esse assunto?

Preencha o formulário para que eu ou alguém de minha equipe possa entrar em contato com você.

Exames, atestados, apólice, etc. e tudo que você acredita que possa me ajudar entender seu caso

Fale comigo por E-mail ou