Provérbios para Executivos (3): lealdade e fidelidade

Não abandone a lealdade e a fidelidade; guarde-as sempre bem gravadas no coração. Se você fizer isso, agradará tanto a Deus como aos seres humanos. (Pv. 3:3-4)

Lealdade e fidelidade parecem significar quase a mesma coisa, mas como como veremos, são bastante distintas e imprescindíveis em todas as áreas da vida.

Em primeiro lugar, devemos saber que nem toda relação exige fidelidade, pois somente é obrigatória quando voluntariamente realizamos esse voto. Por outro lado, em absolutamente tudo que fazemos temos a obrigação de agir com lealdade, sendo irrelevante se nossas atitudes impactarão uma única pessoa, um grupo ou até mesmo uma coletividade indeterminada, pois é uma exigência que está sempre implícita e que inconscientemente esperam de nós.

Enquanto entre os cônjuges e os namorados existe tanto o dever de fidelidade como o de lealdade, entre os parceiros comerciais, os empregados e empregadores, os sócios, os associados, os membros de igrejas, de clubes, os integrantes de determinados segmentos que se assemelham pelo pensamento filosófico, ideológico, sociológico ou religioso, mesmo que a fidelidade não costume ser exigida, a lealdade, por outro lado, é sempre inegociável.

Numa relação profissional, se não houve promessa de fidelidade, não há problemas em ouvir ou mesmo em buscar outras propostas a fim de avaliar possíveis novos caminhos. Entretanto, haverá deslealdade se em qualquer momento forem reveladas informações, técnicas, projetos ou mesmo fragilidades que foram compartilhadas numa atmosfera de confiança, ou, pior ainda, se houver qualquer acusação (verdadeira ou não) tendente a denegrir a imagem do ex-parceiro.

Não há deslealdade e muito menos infidelidade quando em um novo emprego, empreitada ou sociedade se utiliza das habilidades e das técnicas que foram forjadas ou aprimoradas na antiga relação, pois isso faz parte do patrimônio profissional acumulado. Contudo, é deslealdade abordar a carteira de clientes que havia sido conquistada, ainda que por si próprio. Não há problema em ser procurado por alguns deles que eventualmente estejam insatisfeitos com o serviço, o produto ou o atendimento que estão recebendo, mas a decisão da troca não pode ser fruto de uma abordagem direta ou, muito menos, insistente.

Em uma relação conjugal, existe infidelidade quando há o envolvimento sexual com terceiro e deslealdade quando, utilizando informações ou percepções decorrentes dos sentimentos de confiança e de intimidade, denigre-se a imagem do outro, seja durante ou mesmo após o fim do relacionamento.

É interessante observar como a deslealdade costuma causar mais repulsa social do que a infidelidade. Provavelmente isso acontece porque afeta um número maior de pessoas. Apesar de que, às vezes, o ódio que receberá de uma única ou de poucas pessoas prejudicadas pela infidelidade poderá ser mais intenso e devastador do que a toda a repulsa social proveniente de uma deslealdade.

Exemplo da intolerância social com a deslealdade, foi a vida de um cantor brasileiro que entre as décadas de 60 e 70 fez muito sucesso. Na relação amorosa ele era infiel e isso não causava prejuízo à carreira profissional. Contudo, em determinado momento foi acusado de ter se aproximado e colaborado com um grupo que representava tudo aquilo contra a qual a classe artística lutava. Isso foi considerado deslealdade e ainda que talento lhe sobrasse viveu os vinte anos seguintes no esquecimento. Aparentemente foi vítima de falsas notícias, mas, à época, a acusação de ter traído quem lhe dava espaço foi considerada tão grave que causou um ódio coletivo que levou à morte sua carreira.

A bíblia afirma que um caráter leal e fiel agrada tanto a Deus como aos homens, mas por que é assim tão importante?

Porque, por trás da lealdade e da fidelidade existe uma poderosa característica, a confiabilidade. E essa, por sua vez, leva a outra igualmente relevante, a previsibilidade.

Alguém desleal e infiel não é confiável porque é imprevisível e, consequentemente, desmerecedor de credibilidade.

Agir com previsibilidade significa que é possível antecipadamente saber que pautará a conduta segundo os compromissos assumidos e em conformidade com os valores e os códigos morais que normalmente fazem parte das relações profissionais, sociais e afetivas. Isso não implica em ser uma pessoa ou um profissional monótono ou sem criatividade, pois dentro daquilo que é permitido e socialmente aceito existe um leque de condutas possíveis.

 Enfim, com alguém que decide ser fiel e leal é fácil estabelecer relações profissionais, contratuais, comerciais, afetivas e amorosas, porque será possível prever quais regras serão respeitadas e quais limites não serão ultrapassados, gerando o ambiente de confiança necessário para o mútuo ganho e crescimento.

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Sobre o autor

Henrique Lima

Sobre o autor

Henrique Lima

Henrique Lima é advogado atuante em defesas de servidores públicos civis e militares, de trabalhadores da iniciativa privada, de profissionais liberais, de associações, sindicatos e empresas em temas envolvendo direito administrativo, tributário, previdenciário (INSS e RPPS), do trabalho e do consumidor.

 

É mestre em direito pela Universidade de Girona – Espanha e pós-graduado (lato sensu) em direito constitucional, direito do trabalho, civil, consumidor e família. É sócio do escritório Lima, Pegolo & Brito Advocacia (www.lpbadvocacia.com.br) que possui unidades em Curitiba-PR, Campo Grande-MS, Cuiabá-MT, Rio Brilhante-MS, Dourados-MS e Aquidauana-MS, mas atende clientes em vários Estados brasileiros.

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