No final, o que realmente importa? Ou: “as dúvidas de Tolstói podem ser as suas”.

“Existe no homem um vazio
do tamanho de Deus.”
(Dostoiévski)

Nos textos que compõe o livro “Princípios para a Vida”, por meio dos diversos autores citados, o leitor teve contato com diferentes formas de enxergar o mundo, a vida e o porvir.

Mas não poderia terminá-lo sem deixar uma mensagem clara: apenas a fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus, e o cumprimento dos preceitos divinos por Ele evidenciados trazem verdadeira paz e satisfação enquanto se está neste mundo e garantem vida e alegria quando estivermos na eternidade.

Não adianta procurar fora essa plenitude de espírito. 

O conhecimento das ciências e das artes deve servir apenas como uma forma de tentar entender um pouco mais o mundo no qual estamos inseridos e as pessoas com as quais compartilhamos este momento histórico, pois, diante de nossas muitas limitações, todo esforço servirá somente para aumen­tar um pouco nossa consciência.

O famoso escritor russo Liev Tolstói, autor de Guerra e paz (1869) e de Ana Karênina (1877), ambos considerados os melhores romances já escritos, era cristão e, em 1882, aos 54 anos de idade, quando já bastante famoso por suas várias obras literárias, escreveu o livro Uma confissão, do qual se podem extrair várias lições de vida.

Tolstói inicia contando que foi “batizado e criado na fé cristã ortodoxa” (p. 15), mas que paulatinamente se afastou da prática dos princípios cristãos, até que sua “única fé verdadeira, naquele tempo, era a fé no autoaperfeiçoamento…” (p. 19). Assim, diz ele, “tentava me aperfeiçoar intelectualmente – estudava tudo que podia…” (p. 19). 

Depois de um tempo, aprofundando-se nesse afastamen­to da fé, buscando apenas o conhecimento, ele experimentou um sufocante vazio existencial, que assim relatou: 

Procurava em todos os saberes e não só não encontrava nada como me convenci de que todos aqueles que, como eu, procuravam nos saberes também nada encontravam. E não só não encontravam como se davam conta, com clareza, de que aquilo mesmo que me levara ao desespero – a ausência de sentido na vida – é o único saber indubitável que o homem pode alcançar. (pp. 43-44) 

Portanto, minha incursão nos saberes não só não me resgatou de meu desespero como apenas serviu para reforçá-lo. (p. 62)

Numa situação dessas, em que ele afirma que não quis viver como as outras pessoas, isto é, ignorantes em tudo ou simplesmente desfrutando os prazeres da vida, não tardou para que um pensamento lhe sobreviesse: o suicídio.

O desejo suicida, motivado pelo vazio existencial que infligia “sentimento de medo, de abandono, de solidão, em meio a tudo que me é estranho, mas também de esperança por alguma ajuda”, foi forte a ponto de Tolstói se perguntar, “a quase todo minuto, ‘Devo pôr um fim com a corda ou com a bala?’” (pp. 95-96). 

Felizmente, a centelha da vida foi mais forte e levou-o a refletir que “pela fé, concluía-se que, para entender o sentido da vida, eu devia renunciar à razão…” (p. 75), isso porque, para ele, o “saber filosófico não nega nada, apenas res­ponde que essa pergunta [do sentido da vida] não pode ser respondida por ele…” (p. 78). Então, passa a fazer as seguintes considerações: 

Entendi também que, por mais irracionais e monstruosas que sejam as respostas fornecidas pela fé, elas têm a vantagem de introduzirem, em cada vez, a relação entre o finito e o infinito, sem a qual não pode haver resposta. Seja como for que eu formule a pergunta “Como devo viver?”, a resposta é: Segundo a lei de Deus. “O que minha vida vai deixar de real?” Tormentos eternos ou a bênção eterna. “Qual o sentido que a morte não destrói?” A união com o Deus infinito, o paraíso. (p. 78)

Tolstói ainda afirma que “a consciência do erro do saber racional me ajudou a livrar-me da tentação da filosofice ocio­sa” (p. 95), pois “quaisquer que sejam as respostas da fé, oferecidas a quem quer que seja, toda resposta da fé dá um sentido infinito à existência finita do homem” (p. 79), e é por isso que ele conclui: “Sem fé, é impossível viver” (p. 80).

Continua afirmando: “compreendi isso, mas tal compreensão não me trouxe alívio” (p. 84), então estava “pronto para aceitar qualquer fé” (p. 84) e, por isso, estudou “budismo e o islamismo nos livros e, sobretudo, o cristianismo, tanto nos livros como nas pessoas vivas que me rodeavam” (p. 84). Nisso, muito se decepcionou ao ver que os cristãos mais abastados viviam de modo muito diferente daquilo que diziam crer, “viviam tão mal, senão ainda pior, do que os que não creem” (p. 86).

Foi só quando encontrou nas pessoas simples uma vida coerente com a fé cristã que professavam que Tolstói disse que finalmente encontrou alegria, significado e sentido.

Assim, Tolstói voltou “aos primórdios, à infância e à juventude” (p. 100), “voltei à fé em Deus, no aprimoramento moral, na tradição que transmite o sentido da vida” (p. 100) e na prática da oração, ansiando por conhecer o Criador, “só que havia uma diferença: na época, tudo isso era aceito por mim de forma inconsciente, e agora eu sabia que, sem isso, não poderia viver” (p. 100).

CONTINUA…

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Sobre o autor

Henrique Lima

Sobre o autor

Henrique Lima

Henrique Lima é advogado atuante em defesas de servidores públicos civis e militares, de trabalhadores da iniciativa privada, de profissionais liberais, de associações, sindicatos e empresas em temas envolvendo direito administrativo, tributário, previdenciário (INSS e RPPS), do trabalho e do consumidor.

 

É mestre em direito pela Universidade de Girona – Espanha e pós-graduado (lato sensu) em direito constitucional, direito do trabalho, civil, consumidor e família. É sócio do escritório Lima, Pegolo & Brito Advocacia (www.lpbadvocacia.com.br) que possui unidades em Curitiba-PR, Campo Grande-MS, Cuiabá-MT, Rio Brilhante-MS, Dourados-MS e Aquidauana-MS, mas atende clientes em vários Estados brasileiros.

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