Alguns dias em Jerusalém

“Hoje estou deixando que vocês escolham
entre o bem e o mal, entre a vida e a morte.”
(Dt 30:15)

“Escolham a vida…”
(Dt 30:19)

O que mais me chamou a atenção quando estive em Jerusalém não foram os lugares históricos, em que pese o Muro das Lamentações ser, a meu ver, um dos melhores lugares do mundo para estar, quiçá, o melhor!

Conhecer o Monte das Oliveiras, a Via Crúcis, a Cidade de Davi, a Rua Ben Yehuda, é emocionante. Depois de tudo isso, ler a Bíblia torna-se uma atividade ainda mais agradável e vívida. Assistir a filmes que se passam em Jerusalém fica ainda mais empolgante.

Tudo isso é incrível, mas não foi o que realmente marcou meu espírito.

Antes de ir à Terra Santa, participei de uma reunião com explicações básicas sobre alguns detalhes e cuidados necessários. Tive a informação de que em Jerusalém convivem, de maneira mais ou menos harmoniosa, dois povos bastante distintos (um deles é o povo judeu), em que pese os dois terem um ancestral comum. Apesar de todas as orientações, apenas chegando lá é que entendi o que aqui vou expor.

O que realmente me impactou foi a enorme diferença existente entre os locais administrados por um e por outro povo. Essa distinção fica muito nítida na área conhecida como Cidade Antiga, pois existem quarteirões dedicados a um grupo e a outro, que não se misturam, o que torna visível a diferença.

Vou dar um exemplo: os produtos oferecidos no comércio popular, como em outros lugares do mundo, são todos um pouco parecidos. Se você visitar uma dúzia de lojas, praticamente saberá o que existe nas outras. 

Resolvi comprar algumas taças de metal. Comecei procurando e pechinchando nas lojas dos não judeus (o outro povo). As taças eram vendidas separadamente. Nessas primeiras lojas eram inicialmente oferecidas por cerca de 350 shekels (cerca de 420 reais, ou 100 dólares), cada uma. Contudo, se você for desinibido, bom para pedir descontos e muito paciente, conseguirá comprar por até 125 shekels. Ou seja, se você acreditar no primeiro preço, será simplesmente enganado! Desonestidade total. Além disso, as lojas (e seu entorno) eram pouco cuidadas com relação à higiene e organização.

Acabei comprando quatro ou cinco taças em lojas diferentes, sempre após muita negociação e movido pela curiosidade de saber quanto seria o preço mínimo. Até hoje penso por quanto eu poderia ter comprado…

Contudo, no dia seguinte me dediquei a visitar o bairro e o comércio dos judeus. Lá, como já esperava, existiam os mesmos produtos. Imagino que os fornecedores (provavelmente chineses) eram os mesmos.

Mas quão grande não foi minha surpresa ao constatar que o preço médio, para taças idênticas, era de 130 shekels. Acostumado com a experiência anterior de pechinchar ao máximo, tentei comprá-las por 40 cada uma e mandei um “lance” inicial bem baixo; para meu espanto, fui muito mal interpretado. Notei que nessas lojas judaicas não há o costume de pedir um preço exageradamente alto para pegar alguns desavisados e, tampouco, a prática de ficar numa exaustiva negociação para chegar ao preço justo.

Já se pede o correto logo de início. O desconto não passava, quando conseguia, de cinco por cento. A insis­tência para baixarem o preço era vista como uma forma de desvalorização tanto do produto como do trabalho do comerciante. Nessas lojas, a organização e a higiene eram irrepreensíveis.

Outro ponto muitíssimo interessante era o respeito no tratamento às mulheres do grupo. A forma como um povo e o outro tratavam as mulheres era impressionantemente diferente. Até mesmo perto de nós, se não ficássemos sempre observando, os atendentes não judeus não perdiam a oportunidade de, no mínimo, tecer elogios às mulheres que viajavam conosco. Tal prática era tão comum e desagradável, que elas chegavam a pedir para os homens do grupo ficarem sempre por perto. Por outro lado, o inverso não ocorria na parte judaica daquela região. A sensação era de completa segurança e respeito com todos e todas.

Um pouco mais distante dessa região de comércio, mas ainda dentro de Jerusalém, havia alguns bairros destinados a esse povo não judeu. A recomendação era que evi­tássemos passar por lá. Fomos também alertados a evitar algumas cidades dentro de Israel que são administradas por eles, nas quais a realidade era de sujeira, desorganização e insegurança.

Não tenho dúvidas de que tais realidades se devem ao código moral que está na base da constituição de cada um desses povos. Apesar de muitos judeus que residem em Israel serem declaradamente ateus e por isso não terem interesse em seguir os preceitos essencialmente religiosos e ritualísticos da Torá, a verdade é que boa parte dos mandamentos extraídos dela se refere à relação entre os homens, ou seja, aplicável ao plano horizontal, conhecidos como preceitos éticos.

Na Torá existe toda uma axiologia aplicável entre os semelhantes. São valores a serem adotados nas relações con­jugais, familiares, profissionais, comerciais e até no meio ambiente de modo geral. O povo judeu está há milênios observando esses preceitos por motivações religiosas, de maneira que, mesmo com a influência do ateísmo sobre a atual geração, o conteúdo ético de boa parte dos preceitos religiosos está tão impregnado na cultura que, mesmo quan­do há a declarada intenção de se afastar do Eterno, ainda assim se preservam atitudes essencialmente éticas.

Neste momento, faço uma conexão com outro ponto: a prosperidade do povo judeu. Muitas pessoas dizem que eles são ricos porque são o “povo eleito de Deus”. Contudo, basta ler a Bíblia para notar que, ao fazer promessas de bên­çãos, Deus sempre condicionou a obediência aos seus man­damentos. Ou seja, faça aquilo que Deus manda e será abençoado. Não faça e será amaldiçoado ou, no mínimo, não contará com o auxílio divino em suas empreitadas, cabendo-lhe resolver e conquistar tudo com a força do próprio braço, segundo seus próprios esforços.

A prosperidade judaica não é algo inexplicável e muito menos inacessível às demais pessoas. Pelo contrário, é algo que tanto eu como você podemos desfrutar em nossas vidas. O autor intelectual da Bíblia abençoa quem quer que seja, desde que tenha uma vida em conformidade com seus princípios.

CONTINUA…

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Sobre o autor

Henrique Lima

Sobre o autor

Henrique Lima

Henrique Lima é advogado atuante em defesas de servidores públicos civis e militares, de trabalhadores da iniciativa privada, de profissionais liberais, de associações, sindicatos e empresas em temas envolvendo direito administrativo, tributário, previdenciário (INSS e RPPS), do trabalho e do consumidor.

 

É mestre em direito pela Universidade de Girona – Espanha e pós-graduado (lato sensu) em direito constitucional, direito do trabalho, civil, consumidor e família. É sócio do escritório Lima, Pegolo & Brito Advocacia (www.lpbadvocacia.com.br) que possui unidades em Curitiba-PR, Campo Grande-MS, Cuiabá-MT, Rio Brilhante-MS, Dourados-MS e Aquidauana-MS, mas atende clientes em vários Estados brasileiros.

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