16/04/2018

Poucos, Mas que Fazem Toda Diferença

AUTOR:Henrique Lima - 374 visitas

POUCOS, MAS QUE FAZEM TODA DIFERENÇA
Por Henrique Lima (www.henriquelima.com.br)

Por várias vezes, sem muita reflexão, já repeti um pensamento comum de que “os jovens de hoje são piores do que os de ‘minha’ época” ou fiz a indagação inconsolada: “o que será da geração de meus filhos ou netos, que não se interessa por nada, só quer saber de smartphones, redes sociais etc., sem se interessar pela leitura?”. E saiba que ainda faltam alguns anos para eu entrar na fase dos “entas”!

Acredito que essa minha opinião deve ter surgido principalmente por causa do tipo de música, de vídeos e da forma de interação social desses “jovens”. Mas, para minha felicidade, fui liberto desse pensamento pessimista e injusto.

Assistindo a um filme indicado pelo site www.farofafilosofica.com.br sobre a vida de Sócrates, me despertou um momento em que ele fazia queixas semelhantes direcionadas aos jovens de sua época. Então, revisando os textos atribuídos a esse filósofo, encontrei o seguinte lamento:

 
Os jovens de hoje gostam do luxo. São mal comportados, desprezam a autoridade. Não têm respeito pelos mais velhos, se passam o tempo a falar em vez de trabalhar. Não se levantam quando um adulto chega. Contradizem os pais, apresentam-se em sociedade com enfeites estranhos. Apressam-se a ir para a mesa e comem os acepipes, cruzam as pernas e tiranizam os seus mestres. Sócrates (470-399 A.C.)
 
Não foi apenas Sócrates que reclamou desde a antiguidade sobre a geração mais jovem, outros antigos lamentos são frequentemente descritos:

 
Esta juventude está podre no fundo do coração. Os jovens são maus e preguiçosos. Nunca serão como a juventude de outros tempos. Os de hoje não serão capazes de manter a nossa cultura. (Inscrição em cerâmica encontrada nas ruínas de Babilônia, 2000 a.C.)
 
Não tenho nenhuma esperança quanto ao futuro do nosso país, se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque esta juventude é insuportável, sem comedimento, simplesmente terrível. Hesíodo (720 a.C.)
 
O nosso mundo atingiu um estado crítico. As crianças já não dão ouvidos aos seus pais. O fim do mundo não pode estar muito longe. (Sacerdote egípcio 2000 a.C.)
 
Isso faz lembrar uma passagem do livro de Eclesiastes: “Veja! Isto é novo? Não, já existiu há muito tempo, bem antes de nossa época.” (Ec. 1:10).

Pode parecer estranho, mas a partir dessas leituras fiquei sinceramente esperançoso com o futuro. Comecei observar ao meu redor, no escritório, na igreja, nos círculos de amizade e percebi que mesmo diante de um aparente declínio moral e intelectual sempre há um remanescente de pessoas que se interessam por coisas mais importantes. Não só jovens, mas de todas as idades.

Sempre existiram e sempre existirão uns poucos que se interessam pela leitura, que se dedicam aos estudos, que são moralmente preocupados com o próximo, que não buscam a realização pessoal e profissional a qualquer custo, mas que analisam os impactos de suas atitudes na vida das demais pessoas.

Sei que são poucos os que possuem essa nobreza de caráter. Percebi ainda que as pessoas mudam. O adolescente de hoje pode em algum momento ter um “start” e transformar seu modo de ser e agir. Mas não importa se é por uma natureza nata, transformada ou aperfeiçoada, a realidade é que sempre existiram e existirão pessoas “de bem”, capazes e com vontade de colaborar com o desenvolvimento de nossa sociedade.

Não foi apenas Sócrates que se queixou da quase totalidade dos jovens de sua época, pois várias outras figuras importantes da história já teceram críticas semelhantes, seja por não compreendê-los ou por não perceber que sempre há uma minoria de pessoas (não apenas jovens) disposta a pagar o preço com esforço, estudo e dedicação, que fará a diferença e que levará a sociedade a um patamar melhor.

É uma pena que vários motivos (talvez o principal seja a corrupção no Poder Público) contribuam para que não sejam oferecidas iguais oportunidades a todas as pessoas, porém creio que isso está mudando. Jovens, preparados profissionalmente e ocupando relevantes cargos, estão lutando para trazer uma transformação que nos levará a um futuro melhor. Não olvido que estão atuando na linha limítrofe do sacrifício de garantias fundamentais que não podem ser sacrificadas, mas meus olhos aqui não são de um jurista, mas de uma pessoa otimista que percebe que, apesar de serem numericamente poucos, sempre existem aqueles que não medem esforços para lutar por um lugar melhor para vivermos.

As inovações em tratamentos, medicamentos, procedimentos cirúrgicos, o desenvolvimento de surpreendentes tecnologias, as novas formas de pensamento entre outros, tudo isso será oriundo dessas poucas pessoas que não desperdiçam suas existências em futilidades. Sempre foi assim e sempre será. Não há o que temer, apenas nos esforçar para criar um ambiente em que cada vez mais pessoas possam ter a oportunidade de desenvolver suas habilidades, para aqueles que assim desejarem.

 
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